
Bem vindo ao blog não oficial do Batalhão de Caçadores 2911/CCS um espaço para partilha de notícias, fotos, recordações e histórias relacionadas com o mesmo. Este Batalhão foi uma força militar formada no Reg. de Infantaria nr.2, em Abrantes, onde lhe foi ministrada a Instrução de Aperfeiçoamento Operacional (I.A.O.), composto pelas Companhias de Comandos e Serviços e de Caçadores 2696/2697/2698, para prestar serviço no Leste de Angola, distrito da Lunda, entre Abr/70 e Jun/72.
terça-feira, 30 de junho de 2009
NOTÍCIAS DE SAURIMO
Transportes Públicos em Saurimo
O transporte público inter-urbano começou ontem, 29/06, segunda-feira, a trilhar as estradas da cidade de Saurimo - Por Rui Castro David (CDI)
O pontapé de saída foi dado pela operadora privada Lumeje Transportes, com as rotas e paragens anunciadas por António Dragão, funcionário da respectiva firma. Ficou-se a saber, que a tarifa por bilhete de passagem é de 50 kwanzas, e os autocarros circulam numa jornada diária de 15 horas, portanto, das 6 da manhã às 19 horas.
A população já reagiu de forma satisfatória, e pede que haja civismo durante a utilização dos mesmos pelos passageiros.
Vale lembrar que estes meios públicos pertencem ao lote de 85 autocarros recentemente ofertados à província pelo governo central.
(Notícia extraída do site do Governo Provincial da Lunda Sul)
domingo, 28 de junho de 2009
O NOSSO COMANDANTE
Neste trabalho não podia deixar de falar no nosso comandante. Pois foi ele, que a gosto de uns e nem tanto de outros, comandou e zelou por todos aqueles que fizeram parte do nosso Batalhão.
E muito há para dizer sobre a sua pessoa, mas não o consigo fazer, pois não tenho capacidade documental, nem pretendo fazer aqui um trabalho sobre toda a sua vida.
Recolhi alguma informação que vou transcrever, ficando convencido que outros pormenores importantes ficam por dizer, mas estou sempre disponível para os acrescentar, caso os visitantes deste espaço me dêm conhecimento deles. Isso contribuirá para enriquecimento deste trabalho.
- NOME: Manuel Carlos Pereira Alves Passos Esmeriz
- DATA DE NASCIMENTO: 16 de Setembro 1919
- NATURALIDADE: Foz do Douro - Porto
- DATA DO FALECIMENTO: 04 de Abril de 2004 - Hospital Mililitar do Porto
- DEPÓSITO DO CORPO: Igreja da Lapa
- SEPULTURA: Cemitério da Foz do Douro - Porto
1. CARREIRA MILITAR
- 1939 - Escola do Exército. Seguidamente, assentou praça no Regimento de Infantaria nr. 8 em Braga, onde foi mais tarde 2º e 1º Comandante;
- 1949 - Comissão voluntária em Moçambique, onde permaneceu durante seis anos;
- Comissões no Ultramar na guerra colonial: 1 na Guiné e 2 em Angola, a última em 1970/1972;
- Comandante do Sector Militar da Lunda;
- Comandante do Regimento de Infantaria nr. 6 / Porto;
- Comandante da Região Militar do Porto (após o 25/Abril/1974);
- Comandante da Guarda Nacional Republicana, 1975/1983
2. ÚLTIMAS PROMOÇÕES
- Coronel - 19/Maio/1971
- Brigadeiro - 12/Setembro/1974
- General - 09/Fevereiro/1976
3. O QUE OUTROS PENSAM DE SI:
- Homem de difícil relacionamento em frente de tropas reunidas, é certo, mas com um padrão de disciplina elevado era possuidor de uma cultura muito elevada (afixado por E. Bruno - 22/04/09);
- Na GNR homem de grande verticalidade e virtuoso militar (afixado por Narciso Correia em 07/07/08);
- Homem culto e com grande estatura (alguém);
- No 25 de Abril era Comandante do Reg. Infantaria 6/Porto. Uma das missões deste regimento era o de ocupar o Comando da Região Militar. Não o fez como estava previsto. Só quando foi conhecida a rendição em Lisboa do Presidente do Governo é que o Coronel se apresentou no Posto de Comando da Região. Foi promovido a Brigadeiro para comandar a Região Militar do Porto. A sua acção na forma como desempenhou o cargo foi importante, pois nunca tomou qualquer decisão sem que a apresentasse a um Estado Maior para discussão e aprovação, revelando-se, assim, fundamental para resistir às confusões sociais e às que as forças políticas criavam. (Fonte: Centro Documental 25 de Abril - Universidade de Coimbra - parte do relato de memória pelo Cor. Art. António Diniz Felgado Fonseca - Dez/07)
4. O QUE EU PENSO:
- No espaço de tempo que convivemos e fomos comandados por esta ilustre figura, retenho na mente coisas boas e outras bastante desagradáveis sobre o seu comportamento, perante todos os elementos que compunham o Batalhão. E na época, as desagradáveis, ainda o eram mais, pelas situações que enfrentavamos: obrigados a estar onde não tinhamos pedido para estar, as saudades, o clima, as faltas de apoio e carinho, etc, etc, tudo era mau. Claro que não estavamos à espera de facilidades, mas, também, não era justo sermos tratados por "mais uns". Não esqueço, jamais, o dia a seguir à nossa chegada ao Campo Militar do Grafanil, no acto de apresentação ao Comandante da Região Militar, com um calor sufocante, que para nós era novidade; vindos de dez dias de mar, mal dormidos (a maioria no chão); alguns sem pequeno almoço, pois o mesmo não chegou para todos; os acontecimentos pouco dignificantes que se passaram;
- Em Henrique de Carvalho, nas suas chegadas ao quartel, havia sempre qualquer coisa que corria mal. Quando chamava alguém para fazer uma observação, com ou sem razão, tinha sempre atitudes nada agradáveis para o observado;
- Sempre que ia ao cinema quantas vezes a sala ficava sem militares ao intervalo. Havia sempre problemas, e era de bom senso evita-los;
- Mas o seu comportamento era praticamente igual para todos. Praças, sargentos e oficiais eram presa fácil para ele. Nunca me constou que tivesse sido fisicamente violento com as duas últimas classes, mas a alguns chegou a desenhar-lhes na cabeça o corte de cabelo a fazerem;
- O seu comportamento começou a mudar com a chegada da sua esposa, Exmª. Senhora D. Manuela, pessoa totalmente oposta a ele em termos de temperamento. Senhora com uma educação e trato exemplares, que nos diálogos que mantinha com ele, começavam quase sempre com as imposições dele, mas que se alteravam face às palavras dela. Seria que ele, tal como nós, sentia a falta de carinho e aconchego? Talvez....
- As coisas mudaram, o seu comportamento perante todos sofreu alterações, substitui-se, em parte, o receio por respeito e lá fomos convivendo;
- Começaram a aparecer situações agradáveis. Passou a ter interesse nas nossas actividades mais elementares. Aparecia muitas vezes, claro acompanhado pela esposa, a jogos de futebol e andebol. Tinha palavras de incentivo, recordo que as teve comigo no final de um jogo. Enfim era outra pessoa;
- Com o chegar do fim da comissão não facilitou. Começou bem cedo a tratar do nosso regresso. Viemos primeiro do que batalhões que tinham mais tempo que nós. Embora tivessemos ido para Luanda em camiões, coisa que não nos importou, pugnou sempre pelo nosso bem estar. De Luanda para Henrque de Carvalho, na nossa chegada, viajamos de autocarro, pelo que me apercebi não era muito normal;
- Já na nossa chegada a H. C., não havendo camas disponíveis nas casernas, pois ainda se encontrava lá a companhia que fomos render, contra o que estava previsto, passou o refeitório para o parque de viaturas e o refeitório passou a dormitório. Assim, dormiu-se num local fechado;
- Mais importante, não deixou ninguém com processos disciplinares pendentes. Tudo resolveu, a tempo, para que todos viessemos juntos. Até alguns que foram mais tarde não foram esquecidos;
- Tive oportunidade de conviver de perto com ele nos convívios em que esteve presente. Fiquei com uma impressão muito favorável a seu respeito, notei que era uma pessoa com uma bagagem extraordinária, com conhecimentos históricos sobre Portugal e do mundo, que me impressionaram. De fácil trato, não deixando, porém, de se notar que se estava perante um militar;
- A última vez que privei com ele e com a sua esposa foi no convívio em Leça da Palmeira. Enquanto o pessoal não chegava da missa, à qual eu e minha esposa não tinhamos ido por termos chegado atrasados os encontrámos já no restaurante. Aproveitamos e conversamos, mas nada de tropa, falamos da vida e dos filhos de ambos e dos seus netos. Foi agradável.
- Com o tempo, fui-me convencendo, que embora, muitas vezes tenha sido bastante duro com todo o pessoal que comandou, sempre se interessou e zelou por eles perante os seus superiores.
- Estive presente no acto do seu funeral. Outros camaradas nossos também lá estiveram.
- Por fim, nunca consegui, que me lembre, saber a proveniência do seu apelido de "ASA NEGRA".
DIA DE CAMÕES
10/JUNHO/1971
Suponho que nesta data o dia só era da Raça ou Camões e não como agora de: Portugal de Camões e das Comunidades. Data que foi comemorada no nosso Quartel. Todo o pessoal, disponível, esteve presente no hastear da Bandeira junto à porta de armas. Seguidamente, na parada, todos assistiram a uma palestra sobre o significado do dia. Como era feriado nacional, todos puderam sair. Houve uma manhã desportiva, com um jogo de futebol-salão e outro de andebol. Deste é que me recordo com mais pormenores; foi entre as praças e os oficiais e não passou de uma brincadeira. Resultado final: Praças 28 - Oficiais 20.
À tarde, na cidade, aberta a todos, houve uma prova de atletismo. Muito entusiasmo antes e pouco interesse no seu decorrer.
(Tirado do meu baú de recordações)
TOYOTA - PUBLICIDADE
04/JUNHO/1971
A formação desportiva do Pelotão de Transmissões, que passeou a sua classe em vários eventos, conseguiu um patrocínio, importante, para desenvolver a sua actividade. Foi uma firma de Luanda, Imauto - Industrial de Máquinas e Equipamentos, SARL, representante da marca de automóveis Toyota, que depois de contactada e sabedora da classe e prestígio do conjunto, o resolveu equipar. Assim, nesta data recebemos o referido equipamento. Lembram-se?; camisola vermelha com golas e mangas debruadas a branco, calções pretos e meias vermelhas, com o logotipo da Toyota pregado nas camisolas. No nosso regresso, na passagem por Luanda, visitamos a referida firma, fazendo-lhe a entrega de uma taça que conquistamos e de uma foto da equipe. Fomos muito bem recebidos e agradeceram-nos a nossa colaboração publicitária. Estavamos no início do aproveitamento do desporto para fins publicitários e nós Transmissões já lá estavamos.....
Recordem os das fotos:
- Individual - Amaral
- Colectiva - De pé - Santos, José Henriques, Oliveira (STM) e Amaral - Em baixo - Barroso, Lopes e Victor
(Tirado do meu baú de recordações)
quinta-feira, 25 de junho de 2009
LEVANTAMENTO DE RANCHO? NÃO
- Comia-se muito mal naquele refeitório. Fraco e pouco. Todos nós sentiamos um mal estar, muito grande, quando iamos ao refeitório. Este descontentamento levou a que durante a tarde 14 de Setembro de 1970 andasse uma das "vitimas", que não pertencia à nossa companhia, a influenciar para que ao jantar ninguém comesse. Tal gerou alguma expectativa, e à entrada para o refeitório havia algum barulho a mais do que o habitual. Não sei se o oficial de dia tinha conhecimento do assunto. Se tinha não teve a perpiscácia suficiente para lidar com o mesmo, pelo contrário, chegou mais fogo à fogueira. Não queria barulho, barulho havia sempre, e resolveu pôr toda a gente em sentido durante mais de cinco minutos. Deu ordem para não serem entregues as licenças de recolher e informou que não deixaria sair ninguém do quartel. Entretanto, mandou sentar e ninguém se sentou. Mandou entregar as dispensas, e também, não resultou. Percebeu que não conseguia controlar a situação, tinha perdido o poder que a função lhe dava. Resolveu mandar chamar um graduado acima de si, que ainda estivesse no quartel. Veio o Major Carvalhais, pessoa respeitada por todos. Este deu ordens de sentido, sentido correcto, deu uma volta ao refeitório, deu uns safanões a quem não estava como ele queria e ao fim de alguns minutos mandou sentar. Houve uma certa hesitação, mas à sua segunda ordem todos se sentaram e comeram. Para cúmulo a refeição não era das piores que apresentavam.
- Claro que o caso não morreu aqui. Conseguiram saber quem foram os mentores e o considerado principal esteve preso cerca de 20 dias. O processo seguiu para Luanda. Nada mais soube do que se passou a seguir. O militar em causa já tinha acabado a comissão e aguardava embarque.
- A não nomeação do nome do oficial de dia em causa é intencional. Não pretendo com a crónica ferir a sua dignidade, mas somente dar a conhecer um caso que pertence à nossa história.
(Tirado do meu baú de recordações)
DESPORTO
Domingo 14/Março/1971
Neste dia disputou-se um jogo de andebol de sete, entre as equipes do Batalhão e da Força Aérea.
Resultado final: BATALHÃO - 21 / FORÇA AÉREA - 17
Cá a rapaz marcou 7 golos. Eu era um terror para os guarda-redes....
(Tirado do meu baú de recordações)
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