sexta-feira, 29 de junho de 2018



FALECEU O ABÍLIO


Mais uma triste notícia chegou, hoje, ao nosso conhecimento.  Faleceu o Abílio (Abílio Teixeira dos Santos Ferreira). Há já algum tempo que se encontrava debilitado. Embora não pertencendo à CCS, mas sim à Companhia de Caçadores 2696, estava bastante ligado ao pessoal da nossa Companhia. Convêm recordar que a 2696 passou o tempo final da sua comissão no nosso quartel, o que ajudou a formar laços de amizade entre o seu pessoal e o nosso. Mas no caso do Abílio essa amizade continuou a manter-se para lá desse período. Era uma presença habitual nos nossos Almoços-Convívios, e a sua maneira de ser contribuiu para granjear simpatias entre todos nós. Também, por afinidade, era primo do nosso Foto-Cine Adão

O seu funeral realizou-se hoje e o corpo foi depositado no Cemitério de Rio Tinto (Gondomar). A missa de 7º. dia realiza-se na próxima Terça-Feira, 3 de Julho, na igreja da referida localidade, pelas 19 horas.

Lamentamos o sucedido e à sua família: esposa, filhos e neto, bem como a todos os seus amigos, apresentamos as mossas condolências.

sexta-feira, 22 de junho de 2018




ALMOÇO - CONVÍVIO 2018


O almoço-convívio do pessoal da nossa Companhia tal como estava programado realizou-se na cidade de Castelo Branco, no restaurante da Quinta das Olelas, sendo o seu organizador o nosso camarada Joaquim Antunes (Transmissões). A sua dedicação e empenho no evento teve como resultado a satisfação de todos os presentes. Tudo correu pelo melhor, e por isso temos que lhe dar os nossos Parabéns. 

Estiveram presentes 102 convivas, dos quais 44 eram antigos militares. Estes números demonstram o grande trabalho desenvolvido para o sucesso conseguido. Não poderemos esquecer que o local, embora numa zona central do país, mas bastante para o seu Leste, fez com que a maior parte dos presentes tivessem de fazer bastantes kilómetros, o que poderá  ter sido um óbice para alguns dos faltosos.

De registar que tivemos "novatos" nestas lidas. Aparecerem pela primeira vez o CENTEIO (Trms) e o NOGUEIRA (Condutor).

Presente esteve, também, a Ernestina, companheira de longos anos do nosso saudoso camarada Armindo. Ela já é uma das "nossas", pois esteve na maior parte dos convívios que realizamos. A sua presença foi sentida por todos nós e por isso bastante acarinhada.

Antes de se passar ao repasto, o Raul usou da palavra. Lembrou a calamidade que ocorreu no nosso País no dia do nosso convívio do ano passado. Pelos falecidos em tão trágico dia, e também, pelos nossos camaradas já desaparecidos, pediu um minuto de silêncio, que foi cumprido com o respeito que o momento justificava.

A seguir comeu-se, bebeu-se, conversou-se, lembraram-se os momentos bons e os menos bons que passamos na missão que nos levaram a cumprir. No final, como de costume, cortou-se o bolo comemorativo que foi acompanhado com o tradicional espumante.

Por volta das seis horas da tarde deu-se a debandada natural, todos se prepararam para regressar às suas origens, e todos com um sorriso nos lábios e vontade de estarem presentes no próximo almoço que se irá realizar em VILA DO CONDE, com organização do RAULINO.

ATÉ 2019


Foto do Grupo

Os "novatos" CENTEIO E NOGUEIRA


Xavier e Martins  -  Lima  -  Carvalho e Pinto  -  Zé Henriques, Bessa e Barradas

Valente e Martins - Roberto e Raulino  -  Centeio e Esposa  -  Martins e Esposa

Nogueira e Martins - Gomes e Companhia  -  Senhoras  - Capitão Fernandes e...

Silva e Filha   -  Joaquim Antunes  -  Sarzedas  -  Duarte

A nossa Bandeira  -  Marques  -  Oliveira - Jesus

Lopes, Barata, Catalino - Arez, Afonso e Raulino  -  Adâo e Farinha  -  Zé Henriques e Catalino
Bessa  -  Barata e Ana  -  Bolo Comemorativo  -  Corte do Bolo



segunda-feira, 18 de junho de 2018


18 DE JUNHO

Há dias bonitos nas nossas vidas. Este é um deles. Nunca o poderemos esquecer, pois nesse dia do longínquo ano de 1972 regressamos de Angola, para onde nos tinham mandado, no cumprimento de um serviço que diziam ser um dever que tínhamos com a Pátria. Preparação psicológica não nos foi dada, cada um enfrentou tal situação como pode. Na chegada os nossos semblantes, perante os nossos familiares, escondiam todo o cansaço e saturação que trazíamos connosco. Foi bom demais poder abraçar aqueles, esses sim, que nos queriam bem e de quem tantas saudades sentíamos. 

Pela minha parte considero essa data como uma das mais importantes da minha vida.

quinta-feira, 31 de maio de 2018


UM DIA DE SERVIÇO / E.P.I. - MAFRA



Prestei serviço militar na Escola Prática de Infantaria no período de 30 de Novembro de 1969 a 25 de Fevereiro de 1970. Deixei esta unidade pelo motivo de ter sido mobilizado, sendo transferido para R.I. 2 – Abrantes, onde me juntei ao restante pessoal da nossa Companhia para se formar o Batalhão.

Naquela unidade nunca desempenhei serviço relativo à minha especialidade, suponho que nem existia centro de mensagens. Por tal motivo desempenhava funções indiferenciadas, ou seja, como se dizia andava à linha. Isto até passar a ter uma ocupação certa, e a partir daí considerava-me um privilegiado, para isso funcionou a chamada“cunha”.

Um dos serviços que um dia me foi destinado não foi pêra doce. Foram formadas várias equipas incumbidas de ir aos telhados do convento carregar lixo proveniente de umas obras que lá tinham realizado. Tínhamos de subir cerca de cento e cinquenta degraus, que estavam sempre húmidos e por tal escorregadios, andar em cima dos telhados cerca de cinquenta metros, carregar uma padiola, que era bastante pesada, fazer o percurso ao contrário e no final atravessar a parada e ir depositar esse lixo em determinado local. Para  não fazermos muitas viagens resolvemos, erradamente, carregar o máximo que a dita padiola levava. Logo nos arrependemos.

Seguidamente fomos novamente ao local, para fazermos novo carregamento. Mas aqui a sorte, para mim, mudou. Todos os outros elementos foram chamados à sua Companhia pois tinham sido mobilizados. Sozinho não podia continuar a fazer o serviço. Ainda bem.......

Depois do almoço, deram-me outro serviço. Passei a ser ajudante de um civil que andava a realizar uma obra  no quartel. Pessoa bastante simpática e a sua vontade de trabalhar não me pareceu ser muita. Isto passou-se numa Segunda-Feira, tinha vindo passar o fim de semana a casa e pouco tinha dormido, além da viagem de regresso feito nessa noite. Em conversa dei-lhe a entender que estava um pouco cansado. Ele percebeu a ideia. O serviço a fazer não sei qual era, pois não chegamos ao mesmo. Lembro-me que entramos num ginásio, ele fechou a porta e deitamos-nos nos colchões que lá se encontravam. Conversamos, conversamos e adormecemos. Problema, quando acordamos ficamos em pânico, já passava da hora do jantar e eu não apareci. Ele, que era duma localidade das redondezas, já não tinha transporte para casa. Entretanto, foi comigo junto do refeitório, e perante o oficial em serviço, justificou com a sua palavra a minha falta, alegando que estivemos a acabar um serviço que tinha de ser acabado. Tudo ficou sanado. Como foi para casa nunca cheguei a saber, pois nunca mais o vi.

Assim se passou mais um dia, dos muitos, da minha vida de militar.

Carlos Amaral



VIAGEM COMPLICADA

Estavamos no ano de 1969 e viajar não era muito comum para a maioria das pessoas. Sempre havia umas excursões, organizadas por asssociações, pelo barbeiro, pelos frequentadores de cafés, etc, etc. Muita gente, principalmente as do interior, nunca tinham visto o mar e até os comboios. Mas esta situação começava a mudar-se, principalmente para os homens, com o serviço militar. Os “entendidos” resolviam pôr o pessoal a viajar. Assim, deslocavam os chamados mancebos para locais que destinavam a expensas suas, e assim ficavam a conhecer os país.

Eu até ingressar, obrigado, no serviço militar era um dos que pouco tinha viajado. O mais longe que tinha ido, recordo-me, tinha sido à Figueira da Foz. Os meios de comunicação, também, não permitiam ir muito longe num só dia. No serviço militar até Angola, como sabem, fui. Isto devo, sem dúvida alguma, aos nossos governantes da época.

Uma das viagens que fiz, já a cumprir o “meu” dever como patriota, foi como diz o título deste comentário: bastante complicada, como a seguir passo a contar:

Tinha acabado a especialidade de Operador de Mensagens, no Porto, Regimento de Transmissões e das poucas hipóteses que tinha para escolher a minha colocação, tivemos o privilégio de exercermos essa prerrogativa, face às que me foram apresentadas, eu escolhi Mafra; Escola Prática de Infantaria.

No dia 29 de Novembro, Sábado, levaram-me como a muitos mais, para a Estação de Campanhã, com uma guia de marcha, para viajar para o destino que tinha escolhido. O comboio era o Correio, como era chamado, e saiu daquela estação às 00,20 com destino a Lisboa. A minha guia dizia que tinha de fazer transbordo na Estação de Alfarelos. Logo muita atenção para não a passar sem sair. Mas onde era Alfarelos?. De nome eu conhecia, mas a Estação é que não. E de noite “todos os gatos são pardos”. Valeu-me a ajuda de um dos acompanhantes que era daquela zona e me iria informar quando lá chegássemos. Assim aconteceu. Mais: como era músico numa Banda da zona de Soure, indicou-me um Sargento-Mor, também músico, que se encontrava em Mafra na banda da unidade. Aceitei a sugestão.

Depois de sair do comboio, dirigi-me a um funcionário para que me desse orientação para continuar a viagem. Entretanto, juntaram-se outras pessoas e fomos encaminhados, à luz de umas lanternas, pois tivemos que atrevessar algunhas linhas, para uma composiçaõ que já lá se encontrava à espera de possíveis passageiros. As suas condições eram fracas, mas passados cerca de dez minutos de andamento parou. Fomos informados que tínhamos de saír e passarmos para outra. Estávamos na Estação de Amieira.





A composição para onde fomos encaminhados era de nível superior à anterior, mas estava totalmente às escuras. Entrei numa carruagem, constatando que já lá se encontravam outros passageiros. Não me senti muito bem. Os ditos ocupantes, pelo que me apercebi estavam embriagados, vinham da Póvoa de Varzim e tinham acabado o serviço militar. Após alguns minutos, sorrateiramente, abandonei o local e instalei-me noutra carruagem.

Convencido que iria fazer o resto da viagem para Mafra instalei-me o melhor possível. Porém, enganei-me, passado algum tempo novo transbordo. Aqui, falha.me a memória, estávamos na estação da Figueira da Foz ou Caldas da Raínha? Suponho que era na primeira; linha do Oeste.

O mês de  Novembro estava a terminar, período de muito frio, e eu bem o sentia. Para minorar a situação, arrisquei e vesti por cima da farda uma gabardine, civil, que levava na bagagem e que era forrada com pêlo. Agora nova atenção; Mafra era longe ou já ali?. A manhã estava aí e o comboio começou a encher. Com receio de ter problemas por ir vestido meio à paisana meio à militar tirei o agasalho que me servia de conforto. Notei que a pessoas que me acompanhavam ainda não tinham reparado na situação, pela sua admiração. Falei com alguns, disse-lhes qual o meu destino e se estava longe ou perto. Prontamente se ofereceram para me informarem quando lá chegássemos.

Entretanto, fui informado pelo Revisor que a Estação de Mafra ficava a alguns quilómetros do quartel, cerca de oito, e possivelmente não teria ligação até à vila. Aconselhou-me a sair na Malveira e aqui apanhar um autocarro para a mesma. Seria o mais aconselhável. Tudo para mim era novidade e aceite o conselho.

Malveira, já era bem de dia, entre as oito e as nove da manhã. Procurei o local de partida do autocarro. Informei-me dos horários e comprei o bilhete; custo quatro escudos, hoje dois céntimos!!!! Fui tomar o pequeno-almoço.

Iniciei a viagem, aqui, pelas informações obtidas não havia mais transbordos. Finalmente cheguei ao destino. O motorista indicou-me onde era a entrada do quartel. Desci do autocarro e à minha frente tinha o Convento, fiquei pasmado, conhecia a sua grandeza por fotos, mas ao vivo era coisa bem diferente.

Dirigi-me à Porta de Armas, abordei o sentinela de serviço, que de imediato se pôs em sentido, disse-lhe ao que ia. Por entre dentes perguntou-me de onde eu era, respondi-lhe: de Gaia. Ele também o era, mas não nos conhecíamos. Perguntei-lhe como era aquilo alí, respondeu-me: olha para a letras que estão no cima da porta. Olhei; E.P.I., então traduziu-me: Entrada Para o Inferno!!!!! Boa receção..........

Fui encaminhado para o Oficial de Dia, era um Major. Ia cheio de tremideiras: tinha de me apresentar; dizer aquela ladainha que nos tinham ensinado: apresenta-se o soldado nr. etc, etc. Não foi preciso, devia ter conhecimento da minha chegada e fui encaminhado para uma Companhia onde iria pertencer. Fui recebido pelo Cabo de Dia que registou a minha chegada e mandou-me apresentar no dia seguinte. Um pormenor: não tinha direito a almoço naquele dia, só jantar. Foi-me dada uma licença para sair do quartel.

Saí, era Domingo, dia 30 de Novembro. Mafra estava em festa, realizava~se a Feira de Santo André. Percorri a mesma, estava em plena zona saloia, com hábitos e costumes bem diferentes daqueles a que estava habituado. Apreciei tudo quanto vi fazendo comparações. Estava muito frio e muito vento. Recolhi-me num café, suponho o Central, comi algo. De tarde voltei à feira. Jantei no quartel e deitei-me cedo, pois não tinha dormido na noite anterior e não sabia como iria ser o meu dia seguinte.


Crachá E.P.I.


Porta de Armas

Carlos Amaral