sábado, 18 de novembro de 2017



FALECEU O LATA

É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de mais um camarada nosso, que ocorreu no passado dia 13 de Setembro. De seu nome completo MANUEL DOS SANTOS LATA, número mecanográfico 10600269, tinha a especialidade de Condutor Auto Rodas, mas que não a desempenhava. Prestava, sim, serviço no bar dos praças. Pessoa bastante conhecida pela sua forma de estar, não deixava de ser um amigo. Esteve presente na maior parte dos nossos convívios anuais. No ano de 2014, na Mealhada, foi o último em que compareceu, não mais o fazendo por motivos de saúde.

Era natural da Póvoa de Varzim.

Lamentamos só nesta data podermos dar esta triste notícia, mas só agora tivemos conhecimento do acontecimento.

A toda a sua família, bem como aos seus amigos, apresentamos os nossos pêsames, e a ele prestamos-lhe, aqui, a nossa homenagem.

sábado, 11 de novembro de 2017

CABELO, BARBA E BIGODE


Todos nós, militares do nosso Batalhão, passamos pelos chamados anos Sessenta do Sec XX. Esses anos fizeram parte do que muitos consideram ser uma das principais décadas desse período. Em todo o mundo ocorreram factos relevantes para a Humanidade.

Foram muitos, com destaque para alguns: a chegada do Homem à Lua; o assassinato do Presidente Kenneddy: a guerra do Vietname; foi morto Luther King Jnr.; Mao Tse-Tung, na China, lançou a Revolução Cultural; ocorreu na Africa do Sul o primeiro transplante de coração; a IBM lançou o seu primeiro computador; foi construido o Muro de Berlim, etc, etc
Chegada do Homem à Lua

Em Portugal vivia-se num clima nada favorável para a sua população. O regime político da época assim o proporcionava. O abismo social era grande e mais se começou a notar nesta década. Uma solução passava pela emigração. Estima-se que Um Milhão e Trezentos Mil pessoas o fizeram. A este fenómeno juntou-se a deslocalização de muita gente do interior para junto das cidades, mais industrializadas, à procura de trabalho, o que ocasionou a desertificação de grande parte do nosso território. Hoje, ainda, é notório o resultado dessas iniciativas. Os estudantes começaram a organizar manifestações contra poder político, etc, etc.

Além do atrás mencionado começou a Guerra do Ultramar, e aqui começou outro problema para os nossos jovens: o serviço militar era obrigatório e poucos escapavam à mesma, só mesmo aqueles que desertavam ou não se apresentavam, conforme lhes era exigido.

Vivíamos num País sem liberdade, mas mesmo assim haviam certas modas que eram toleradas. Estávamos no período áureo do Beatles e dos Hippies e daí resultava uma tendência, generalizada, nos jovens para usarem o cabelo comprido. Mas no serviço militar isso não era permitido, mas sim o contrário: cabelo curto e cara limpa. Esta regra foi-nos imposta e quem não a cumprisse, minimamente, podia ter dissabores. Acontecia muitas vezes as dispensas de saída serem cortadas a quem não estivesse em tal situação. Como castigo, em muitos casos sem grandes motivos, eram os militares obrigados a cortar o cabelo à “escovinha”. Tal atitude, pouco abonatória e até vexante, motivava que quem a sofria, evitar de ir passar o fim se semana a casa, pois ao apresentar-se assim demonstrava ter sofrido um castigo. Isto passava-se em relação ao cabelo, quanto às barbas e bigodes nada acontecia, pois ninguém arriscava deixar crescer tais decorações faciais.

Exemplo de um corte militar
Os Beatles



Exemplo de Hippies

No Ultramar tais castigos não aconteciam, pois aí o pessoal rapava o cabelo, voluntariamente, com a ideia que tal procedimento era saudável. Havia sempre quem exagerasse no tamanho do mesmo, mas nada de mais, e lá se ia andando. Mas barba e bigode continuava a não ser permitido. Para o caso do bigode, recordo-me, que em certa ocasião ter havido uma viabilidade para se usar, mas sujeita a regras: bigode militar como as normas e para tal teria de se apresentar um desenho ou um croqui do que se pretendia. Claro ninguém se mostrou interessado.

Com o passar do tempo, e o fim da comissão à vista, usar bigode foi permitido sem grandes regras, mas dentro do razoável. Aqui deu-se uma explosão de “bigodistas”, pois talvez metade ou mais da Companhia deixou de rapar o lábio superior. Eu, como na vida civil já usava tal enfeite, aproveitei, a facilidade, e no dia 5 de Março de 1972 mudei o meu visual. Poderei aqui deixar uma confidência: a partir dessa data nunca mais o meu lábio teve a sensação de sentir uma lamina. Coisas da vida!!!!

Mas como sempre o fruto proibido é o mais apetecido, e com o aproximar da viagem de regresso os ditos bigodes foram desaparecendo, pois todos queriam chegar junto dos seus com as caras lavadas. Os cabelos, esses todos deixaram crescer um pouco mais do que as normas exigiam.


Texto: Carlos Amaral

sábado, 4 de novembro de 2017


TRAJAR À CIVIL

Estávamos em Novembro de 1971 e já nos considerávamos uns "velhinhos" nas andanças em que nos tinham metido. As nossa roupas militares pelo uso, excessivo, já tinham um aspecto bastante degradado, mas a elas não podíamos fugir. Mesmo aos Domingos, nas saídas do quartel, tínhamos, claro os praças e cabos, de sair fardados. Havia, no entanto, uma excepção: estavam autorizados seis desses postos a puderem sair trajados com a sua roupa civil. Metia-se uma licença para o efeito, mas dado o grande número de pretendentes, era feito um rateio, e lá havia uns felizardos ou "amigos" a quem a sorte batia à porta. Um pequeno nada mas que tinha um valor muito grande para quem o conseguia.

Claro que quem estivesse atento, facilmente se apercebia, que pelas ruas da cidade, em tais dias, havia muitos mais dos que os autorizados, em tais condições. Ninguém via mal nisso, até pelo contrário: os infringidores sentiam a sua moral elevada e a cidade deixava de ter um ambiente tão esverdeado. Não podemos esquecer que a maioria da sua população era militar.

Os que tinham estabelecido tais regras assim não pensavam, como é óbvio, dessa forma, e num dos giros que o nosso 2º Comandante fez pela cidade constatou o que se estava a passar. E, logo no dia seguinte, ordenou que as "rondas" estivessem atentas, interpelando todos os que assim não pudessem andar, e verificar da sua legalidade quanto à forma de se vestir.

Não ponho em causa o cumprimento dessas regras, mas faço-o quanto aos seus objectivos, perguntando: o que ganhou, com tais incongruências,  a causa que nos levaram a servir ? 

Amaral e Vieira (Ambas as versões)

Texto - Carlos Amaral
             "Meu Baú de Memórias"



segunda-feira, 30 de outubro de 2017


MENSAGENS DO SOLDADO / NATAL

Faz hoje, precisamente, 30 de Outubro, 47 anos que no nosso aquartelamento se apresentou uma equipa de repórteres de uma rádio, que não consegui identificar, mas, com certeza ligada ao Exército Português, para efetuar gravações de mensagens de Natal para quem o pretendesse.

Afastados da suas famílias, e cheios de saudades, os militares, muitas vezes, serviam-se deste meio para felicitarem os seus através da sua própria voz, e assim desejar-lhes que as Festas que se aproximavam corressem o melhor possível. Nem sempre, pelo comoção ocasionada pelo momento, as palavras eram proferidas da melhor forma, sendo necessárias várias tentativas para se conseguir ultrapassar o estado emocional de quem as dizia. Por esses motivos nem todos se sentiam capazes de se inscreverem para o efeito.

Como tais reportagens eram transmitidas, na Metrópole  em horas pouco convenientes, de madrugada e em dia que não era comunicado, a adesão, pelo que tenho em ideia, na nossa Companhia foi muito baixa. Mesmo assim, houve quem tivesse aproveitado a oportunidade.




Fonte - Do meu baú de memórias




sábado, 28 de outubro de 2017

AS MINHAS FÉRIAS MILITARES

Estávamos praticamente nos finais de 1970, e eu já cansado e saturado da situação em que me encontrava, resolvi gozar férias, ao abrigo do Regulamento Militar. Foram-me concedidos trinta dias, mas com a condição de as mesmas serem passadas fora de Henrique de Carvalho. Não podia haver truques, pois tal teria de ter a confirmação de uma unidade militar do local onde eu passasse o tempo. Teria de o fazer à chegada e à partida.

O meu pedido foi deferido e local escolhido foi Luanda. Quem tinha feito igual pedido foi o Luciano, radio telegrafista, e combinamos fazer companhia um ao outro. Começamos a planear a viagem de ida. Ele tinha familiares naquela cidade onde se iria instalar. Fizemos a viagem separados com a promessa de por lá nos encontrarmos. Eu tentei junto da Força Aérea uma boleia no Nord Atlas, o que não consegui. Fiz contactos junto dos comerciantes da cidade e arranjei boleia num camião. Parti no dia 14 de Novembro. O Luciano, entretanto, já tinha partido em igual meio de transporte.

A viagem foi um pouco complicada, para mim uma autentica aventura. O motorista, pessoa bastante
simpática, que eu desconhecia, por coincidência era meu conterrâneo, de Vila Nova de Gaia (Avintes). A primeira paragem foi no Cacolo, 142 kms percorridos, ainda não havia estrada alcatroada, havia sim: muitos buracos e lama, onde almoçamos e descansamos um pouco.

Continuamos a viagem e quando começou a escurecer, ainda cedo, parámos, numa localidade, de nome Capenda-Camulemba, junto à estrada, para passarmos a noite. Tínhamos percorrido 295 Kms. Fomos a um estabelecimento comercial onde comemos qualquer coisa, pois a oferta era reduzida. Depois da refeição falámos com o seu proprietário para ver a possibilidade de eu dormir dentro do mesmo. O motorista iria dormir na cabine do camião. Tal pedido foi recusado, sendo-me sugerido passar a noite numa viatura que estava abandonada na estrada. Sem qualquer outra hipótese tive de aceitar o conselho. Fazia frio e chovia. O meu comparsa de viagem emprestou-me um cobertor, a noite ia ser longa.

Desolado, entrei na viatura, deitei o corpo no banco traseiro e as pernas no da frente, que já não tinha costas. Fiquei em espécie de ângulo reto. A chuva não parava, e era muita, mas com o tempo lá adormeci. Entretanto, acordei sobressaltado por um ruído de muitas vozes. Alguém andava por ali muito perto. Temi o pior: será que iria ser assaltado? Enchi-me de coragem e, lentamente, levantei a cabeça para ver o que se passava. Fiquei mais calmo, pois verifiquei que se tratava de um grupo de nativos que andava a apanhar mangas que tinham caído das árvores com o temporal e presumi que ainda não me tinham visto. Com a ponta dos dedos bati no vidros, eles ao verem-me, talvez pensando tratar-se de um espírito mau, desataram a fugir. Eu, eu senti-me um herói, e não era para menos.

Chegou a manhã e continuamos a viagem. Passamos por Malanje e à noite pernoitamos numa localidade, cujo nome não tenho em memória. Mas aqui foi numa pensão. Chegamos no dia seguinte, segunda-feira, dia 14, ao nosso destino. Despedi-me do motorista, que ia com o camião carregado de bidons vazios com a missão de os encher de combustível e regressar a Henrique de Carvalho, suponho para a Base Aérea.

Encontrava-me numa cidade praticamente desconhecida, só lá tinha estado aquando do nosso desembarque, e tinha de arranjar um local para me instalar durante o tempo que por lá ia estar. Fiquei duas noites numa pensão, que disso só tinha o nome, as suas instalações eram bem piores do que as que tinha no quartel. Entretanto, passei para a Pensão Miramar, esta já com algumas condições. Os proprietários eram simpáticos e o dono chamava-se Ernesto. Não deixo de registar que alguém, entrou no meu quarto e me surripiou uma máquina fotográfica, que lamentei.
Luanda - Parque Miramar


O Luciano lá apareceu, encontrei-o na baixa, junto à Cervejaria Portugália, local previamente combinado. Fomos passando tempo com idas à praia e vagueando pela cidade. Encontrei amigos e um deles levou-me a fazer um treino de Andebol, modalidade desportiva minha preferida, ao ASA, um clube da cidade. No dia 29 de Novembro, domingo, fui passar o dia à Ilha de Mussulo, etc, etc.

Ilha do Mussulo
O dinheiro que tinha não era muito, bem pelo contrário, logo os gastos eram os mínimos. Tinha deixado instruções para que o meu pré fosse levantado por um camarada ficando este do mo enviar. Não cumpriu o combinado, e eu, naturalmente, comecei a contar as moedas.

Aproximava-se o fim das férias e há que tratar da viagem de regresso. Mas como? O dinheiro que restava não chegava para fazer face ao custo da mesma, se utilizasse um transporte público. O Luciano estava nas mesmas condições. Portanto, só nos restava arranjar um boleia. Resolvemos, por indicação de alguém, ir para a saída da cidade, já depois do Grafanil, estrada de Catete, para um local que suponho que funcionava como posto de controlo, pois os camiões paravam todos lá. Era madrugada do dia 11 de Dezembro. Fomos falando com os motoristas, mas para Henrique de Carvalho ninguém ia. Foi-nos sugerido arranjar até Malanje e aí para o nosso destino. Assim fizemos, conseguimos e a viagem começou. No decorrer da mesma, com o calor, o barulho do motor e o sono a apertar, por vezes adormecíamos. Numa paragem que fizemos o motorista advertiu-nos: “se continuarem a dormir ponho-os fora do camião”. Nada aconteceu e lá chegamos a Malanje.

Agora, nesta cidade, tínhamos que arranjar outra boleia. Contactamos vários comerciantes mas nenhum tinha qualquer transporte para a nossa zona. Outra hipótese era utilizarmos uma empresa de transporte de passageiros que fazia viagens para Henrique de Carvalho. Era de facto uma hipótese, só que o dinheiro que tínhamos não chegava para o bilhete. Seria que eles confiariam em nós, deixando-nos pagar no destino?. Não chegamos a saber, pois encontramos um Furriel do nosso Batalhão, chamado Laginha, de uma companhia operacional. Falando com ele, ficamos a saber que também vinha de férias, e que viajava juntamente com uma delegação da Junta Autónoma das Estradas de Angola, que utilizava vários Jeeps no seu transporte e dirigiam-se para a nossa cidade. Sem indicarmos a fonte da informação, fomos ao hotel onde estavam hospedados, falámos com o responsável, Engº. Espinha, contamos-lhe a nossa situação e pedimos-lhe compreensão. Nada nos prometeu, mas foi dizendo para aparecermos por lá, no dia seguinte pelas seis horas da manhã.

Viagem mais ao menos assegurada, lá fomos arranjar local para pernoitar. Encontramos-nos, novamente, com o Laginha e com a sua ajuda dormimos na Messe dos Sargentos de um dos quartéis da cidade.

No dia seguinte, conforme o combinado aparecemos, fomos bem recebidos e sem quaisquer problemas iniciámos a viagem. A meio da mesma parámos num estaleiro da firma Lourenços, construtora de estradas, onde foi servido um almoço-volante a toda a comitiva, sendo nós por inerência sido convidados. Nada mau, nada lá faltava.

Depois dos estômagos devidamente aconchegados, continuamos a viagem, chegando ao fim da tarde do dia 12 a Henrique de Carvalho. Agradecemos as atenções que tiveram connosco e recebemos um elogio pela boa companhia que lhes tínhamos feito. Jamais esquecerei as suas atitudes.


Assim, Fim de Viagem e Fim de Férias, que também, pelas peripécias, foi uma aventura. Não poderei esquecer que éramos um jovens, com vinte e dois anos, que com poucos recursos se propuseram a dar um “chuto” no marasmo em que nos encontrávamos.


Memórias de : Carlos Amaral
                        1º. Cabo Op. Mensagens

terça-feira, 29 de agosto de 2017


PROPAGANDA

Panfletos usadas pelo nosso Exército, em Angola, na propaganda anti-guerrilha


















 Fonte: UAC - União dos Antigos Combatentes do Ultramar e Índia Associação
             Postado por MANUEL PEREIRA      




 

sexta-feira, 25 de agosto de 2017


OS ANOS VÃO PASSANDO MAS NÃO SE NOTA MUITO. COMPAREM  ( I )

Amaral - Zé Henriques

Barata - Santos

Antunes (Trm) - Lopes

Bessa - Barradas (Alf)

Adrião - Raul

Pinto - Catalino

Arez - Batista

Cunha - Francisco Pinto

Gomes (Mec) - Domingues