quinta-feira, 17 de agosto de 2017

OS INIMIGOS DA PÁTRIA RENUNCIARÃO


A partir de 1962, em Angola, começaram a ser distribuídas pelas Estações dos Correios de toda a Província Ultramarina carimbos, não obliteradores; para serem colocados em toda a correspondência expedida nas mesmas.

Todos os dizeres nas flâmulas tinham a finalidade de fazer vincar nas consciências de que Angola era portuguesa. Foi a guerra psicológica de propaganda do regime. Consideramos tais marcas postais muito importantes, pois constituem contributos necessários para se poder fazer a História da Guerra Colonial de Angola, designadamente da década de 60, através da filatelia.

Tal se poderá ver no subscrito a seguir apresentado, remetido de Henrique de Carvalho para Luanda em 10 de Fevereiro de 1965




 Fonte: Filatelia Portuguesa - Revista Filatélica



UM POUCO DA NOSSA HISTÓRIA



Memórias de um passado saudoso

HENRIQUE AUGUSTO DIAS DE CARVALHO  – Major do Estado Maior de   Infantaria – Explorador (1843 – 1909)
EXPEDIÇÃO À REGIÃO DA LUNDAno Leste de Angola, entre 1884 e 1888 


Introdução:
No longínquo ano de 1972, aquando da minha estadia em Henrique de Carvalho, a par da nossa tropa, estudava nas horas vagas no Liceu da cidade. A reitora,  recebeu nesse ano, o neto ou, bisneto do famoso explorador Henrique de Carvalho e, eu, muito atento, anotei o seu discurso direccionado ao seu ascendente e aos seus feitos...
Sempre fui  fervoroso por conhecer os grandes sertanejos africanos, tanto portugueses como estrangeiros, e entre muitos destacaram-se: Livingstone, Stanley, Braza, Cameron, Silva Porto, Serpa Pinto, Hermenegildo Capelo, Roberto Ivens e, por fim, Henrique de Carvalho – o homem que deu nome à cidade.
Este explorador, sertanejo, Governador da Lunda, merece ser lembrado por nós, mesmo quarenta anos após termos pisado aquele chão Africano. Eis alguns apontamentos:
  
                                                           Henrique de Carvalho
Contexto histórico:
Em finais de Oitocentos, face à investida das restantes potências Europeias, Portugal vê ameaçados os seus territórios Africanos, cuja ocupação se limitava à costa e que assentava tradicionalmente na invocação dos “direitos históricos”.
Sem meios militares ou económicos que lhe permitiam ombrear com os restantes competidores, desperta o Estado português a consciência do “apertado cerco que nos estão pondo as principais nações da Europa”.
Neste apertado cerco conjugam-se as expedições Alemãs e Belgas que se dirigiram para a Lunda na segunda metade do séc. XIX.
Alarmado pelo curso dos acontecimentos, o governo Português empenha-se a partir de 1884 na construção de um caminho-de-ferro que ligasse Luanda – Ambaca, um conhecido entreposto comercial entre o interior de Angola e a costa. Procurava-se sobretudo estabelecer laços comerciais directos com o Império Lunda, fonte tradicional de matérias-primas (cera, marfim, borracha), e que até então se encontrava isolado, alvo de um bloqueio exercido por parte dos Mbangalas. Estabelecidos na região de Cassanje, estes impediam um contacto directo com os Europeus, ao assumirem-se como intermediários comerciais entre os sertanejos e o território de MUATIÂNVUA.
A Expedição:
É precisamente neste contexto que surge, em 1884, a viagem do militar Henrique de Carvalho à Lunda.
Relativamente ao Muatiânvua, pedia-se que este fosse persuadido a celebrar um tratado de amizade e comércio com Portugal.
A expedição partiu do entreposto comercial angolano de Malanje em Julho de 1884. Era chefiada por Henrique de Carvalho, militar com vasta experiência colonial, e tinha como subchefe o Major Agostinho Sisnando Marques, farmacêutico e ex-director do Observatório Metereológico de S. Tomé. Seguia também como ajudante o Tenente Manuel Sertório de Almeida Aguiar, bem como os indispensáveis carregadores recrutados localmente e alguns ambaquistas, que operavam sobretudo como guias e intérpretes.
O itinerário foi delineado em Malanje pelos irmãos Custódio e Saturnino de Sousa Machado, comerciantes sertanejos de longa data e por isso conhecedores dos caminhos interiores.

                  
           Subchefe Agostinho S. Marques                           Ajudante Manuel S. A. Aguiar

Foi sugerido um “caminho novo pelo Nordeste que, partindo de Malanje, ia atingir o rio Cuango na zona de confluência com o rio Lui, seguindo daí para o Cassai”. Depois, seguiria para Sul, em direcção à Mussumba.
A expedição avançou dividida em duas secções, dirigidas respectivamente pelo chefe e pelo subchefe. Uma das secções seguia à frente, fundava uma “estação civilizadora”, e aí permanecia algum tempo, estabelecendo relações de confiança com os locais. Estações essas em que Henrique de Carvalho terá realizado parte das suas observações e recolhas etnográficas.
Quando a primeira secção partia, chegava a segunda para dar continuidade ao trabalho.
À medida que avança em direcção à Mussumba, Henrique de Carvalho apercebe-se de   que o Império Lunda atravessa uma fase conturbada. Os entraves postos a partir de 1850 pelo Estado português ao tráfico de escravos em Angola foram um rude golpe para a economia Lunda, que dependia grandemente dessa actividade. Dividido por lutas de poder internas, o Estado Lunda via o seu território consideravelmente reduzido pela expansão para Norte dos povos Chokwe.
Passados cerca de dois anos, em Janeiro de 1887, a expedição encontra-se finalmente em Mussumba. No dia 18 desse mês “celebra-se um tratado pelo qual o Muatiânvua e a sua corte reconheciam a soberania de Portugal e se comprometiam a não aceitar nas suas terras outra bandeira”.
Este sucesso não foi contudo, duradouro. Cinco dias após a assinatura do tratado, um grande fogo destruiu grande parte da Mussumba, levando à debandada de milhares de pessoas, incluindo a Corte Lunda.
Henrique de Carvalho apercebe-se de que só lhe resta partir. Esperava-o uma longa viagem de regresso, em que a expedição tem de contornar diplomaticamente a agressividade dos Chokwe, e a cíclica falta de provisões e medicamentos. No decurso da viagem, iam chegando notícias inquietantes de Malanje: no contexto da Conferência de Berlim, fora criado o Estado Independente do Congo (1884), o que significa a perda da região Angolana do Lubuco para a BélgicaH. 
                                                          Carvalho e o Muatiânvula                                                                                                      
Se os objectivos políticos e comerciais da expedição não tinham sido alcançados, ficara assegurada uma recolha de carácter etnográfico que testemunha ainda hoje uma visão muito particular sobre a Lunda dos finais do séc. XIX.

Visita da princesa Mutumbo a H. Carvalho
Dispersos Históricos: 
- Carvalho na sua primeira estada em Angola (1878/1882) foi responsável pelas obras públicas em Luanda
Caravana mercantil no Dondo
- Em 1884 e, em Malanje, Henrique Dias de Carvalho preparava a sua expedição.
- Carvalho contratou doze carregadores em 9 de Junho de 1884 em Luanda, para a sua grande expedição à Lunda, dez dos quais o acompanharam até ao Calanhi e regressaram com ele.
- Henrique de Carvalho encontrou algumas caravanas Mbangalas nos domínios do Caungula Muteba, junto ao Lóvua, em cujas proximidades permaneceu três meses com a sua expedição, em finais do ano de 1885.

  Grupo diplomático enviado pelo Muatiânvua ao Gov. da Lunda
        
- Numa dessas caravanas participava também o chefe (Ambaza) QUINGURI, da margem direita do Cuango, aí chegado em meados de Dezembro de 1885, cuja residência se situava a um dia de viagem da estação comercial de Cassanje, junto ao Quinguixi, um afluente do Cuango. Quinguri, permaneceu com Carvalho durante vários meses. Alegava ser um descendente do primeiro Jaga (título dos governantes Mbangalas) e, portanto, de Lueji, a mãe do primeiro Mwant Yav do Estado Lunda e era um pretendente à sucessão dos Jagas no Cassanje.
- Em Outubro de 1887, Manuel Correia da Rocha, conhecido por Calucâno, chegou a Malanje com Carvalho, tendo-se instalado com a sua gente algures nas imediações.
- Henrique de Carvalho, explorador português, foi contemporâneo de outros exploradores alemães – Paul Pogge (1875/1876) e Max Buchner (1879/1880).
- António Bezerra acompanhou a grande expedição de Henrique de Carvalho à Lunda como “primeiro intérprete” nos anos de 1884/1888.
- Como António Bezerra conhecia como ninguém as regiões situadas a Leste do Cuango, pôde prestar a Carvalho informações preciosas sobre as rotas a seguir ou a evitar, as diversas populações, suas opiniões, sua história, suas relações comerciais e seus costumes.  Agostinho Alexandre Bezerra, participou na expedição de quatro anos de Henrique de Carvalho à Lunda (1884/1888) como segundo intérprete.
- Em 1896, quando Carvalho voltou à região dos Mbangalas como Governador da Província Lunda, Quinguri já tinha falecido.

   H. de Carvalho – Estátua nossa conhecida…


Vitor OliveiraOPCART

quarta-feira, 19 de julho de 2017



FALECEU O MANUEL PAIVA


É com pesar que participamos mais um falecimento de um camarada nosso. Desta vez foi o MANUEL AUGUSTO MOREIRA PAIVA, Soldado Sapador, com o nrº. mecanográfico 09170069. Vivia na freguesia de Pedroso, concelho de Vila Nova de Gaia e foi vítima de uma doença incurável. O Paiva esteve presente em muitos dos nossos convívio anuais. De si podemos dizer que era uma pessoa simpática e cordial.  O seu funeral realizou-se ontem Terça-Feira, dia 18 de Julho, sendo o seu corpo depositado no cemitério local.
Aos seus familiares e amigos, apresentamos as nossas condolências.
Paz à sua alma



sexta-feira, 14 de julho de 2017



TROPAS METROPOLITANAS NOS TEATROS DE GUERRA AFRICANOS

Com o 25 de Abril de 1974 a guerra que o nosso País travou nas suas Províncias Ultramarinas começou a dar sinais do seu fim. Para a memória, de todo nós, podemos, ver pelo quadro a seguir apresentado, o número de efetivos que estiveram envolvidos nas diversas frentes. Embora se afirme, à boca cheia, que tínhamos a guerra ganha, verifica-se, pelos números apresentados, que praticamente no final da guerra, ano de 1973, era quando mais militares se encontravam na guerra em causa.




Fonte: Estado-Maior do Exército, 1988 I; 261.



segunda-feira, 19 de junho de 2017


CONVÍVIO ANUAL 2017

Conforme o combinado o encontro-convívio da nossa Companhia realizou-se, este ano, no Restaurante Irene, em Parceiros, Leiria e a organização esteve a cargo do nosso camarada e amigo Domingues. Marcaram presença 84 convivas, entre ex-combatentes e seus familiares.
O encontro de todos nós foi junto à igreja local, onde estava prevista uma missa que não se realizou, pelo facto de o Padre que a iria realizar esteve, à última hora, ocupado com um serviço mais importante. Assim,seguiu-se para o restaurante. 

Antes da refeição, com todos já à mesa, o Raul interveio, fazendo uma alocução sobre o ato que se estava a realizar, bem demonstrativo dos laços de amizade que criamos numa situação  difícil para todos nós. Fez referência a dois presentes, que pela primeira vez compareceram: o Lopes, das Transmissões, que está emigrado em França e do Jorge Felizardo, que embora não pertencendo à Companhia esteve adido à mesma, onde prestou serviço na área das Transmissões. Presentemente encontra-se emigrado no Canadá e aproveitou conjugar as suas ferias no nosso País com a data do nosso convívio. O Jorge sente o nosso Batalhão como fosse   seu. Os seus contactos connosco têm sido muitos, principalmente através deste Blog. Fez, também, referência ao Batista, presente, embora a residir na Alemanha, que  aproveitou esta data para se encontrar connosco e tratar de outros assunto particulares.
A sua palavras seguintes foram para os tristes acontecimentos que aconteceram durante este ano: os falecimentos do Armindo, do Pimentel, do Luís e do Marques. Em honra deles e de todos os outros, entretanto já falecidos, cumpriu-se um minuto de silêncio.

Passou-se ao repasto e partir desse momento as conversas foram postas em dia, principalmente com o parceiro do lado. No final aconteceu a animação habitual; acordeões, concertinas, gaita de foles e bombo, fizeram música suficiente para alguns darem o seu passo de dança.

De seguida, como vem sendo habitual, passou-se ao corte do bolo alusivo à confraternização que foi acompanhado com espumante.

Em suma, foi um encontro bastante agradável, que mais uma vez serviu para manter o elo de amizade e de companheirismo, quiçá até reforça-los, entre todos os elementos, presentes, da Companhia a que pertencemos.

Ficou decidido que o próximo Almoço-Convívio será na cidade de Castelo Branco e o seu organizador será o Joaquim Antunes das Transmissões

Não deixo de referir que no mesmo restaurante estava, em comemoração idêntica à nossa, elementos da CCS do Batalhão de Artilharia 436, que prestou serviço, também
em Angola, instalada na localidade de Cuimba, passando depois pela zona dos Zombos e mais tarde, tal como nós, em Henrique de Carvalho. Houve cumprimentos e troca de palavras entre  seus elementos e dos nossos.

Não deixarei de registar que enquanto todos nós desfrutávamos de momentos de prazer e de alegria, o nosso País, àquela hora, passava por momentos de horror, dos mais negros que há memória. Com certeza que se fossemos sabedores de tal catástrofe teríamos parado, para nos juntarmos ao sofrimento que estavam a passar muitos dos nossos compatriotas. A eles e a todos os seus familiares juntamos a nossa dor e o nosso profundo respeito. Tal como eles, como o nosso País, nós também estamos de luto.
Passamos a seguir fotos do convívio:

Cunha
Raul e Pinto



Lopes e Barradas

Antunes (Reconhecimento)

Lopes

Barata e Lopes

Antunes (Transmissões)

OIliveira e Esposa

Jesus

Zé Fernandes (Transp.) - Bessa e Zé Henriques

Arez e Raulino

Antunes (Rec) e Cunha

Farinha - Antunes (Transm.) e Esposa

Raul discursando e Monteiro dormindo

Carvalho e Jerónimo

Oliveira

Afonso (Comb. Lubrif.)-Pinto-Batista-Arez e Raulino

Lopes, Zé Henriques, Raulino e Peneda

Raulino - Peneda - Barradas e Arez
Raulino e Arez



Barradas - Antunes (Transm.) e Barata

Uma das mesas

Cap. Fernandes e Carvalho

Avelino Pereira (Carpinteiro) e Acompanhantes

Domingos (Mec. Armamento)

Guerreiro (Auxiliar Cozinha)

Oliveira (Será?)

Pinto - Lopes - Zé Henriques e Zé Fernando

Arez - Pinto e Ana Barata

Corte do Bolo

Oliveira (O autêntico)

Gomes

Afonso (Condutor) e Esposa

Bessa e Amaral

Barata - Lopes - Zé Henrique - Raulino e Zé Fernandes

Jerónimo


 
Catalino - Barroso e Domingues


domingo, 18 de junho de 2017




Faz hoje, 18 de junho, que para alegria e felicidade de todos nós, 45 anos da nossa chegada ao "PUTO", como todos nós apelidávamos o nosso País. 
Nestes anos passados as nossas vidas, muitas das vezes, foi uma caixa de surpresas. Todos temos tido momentos bons, outros nem tanto mas, para a maioria de todos nós, o simples facto de ainda estarmos vivos já é um privilégio, e esperamos que tudo continue assim. 
Para todos NÓS um grande abraço de amizade.