quinta-feira, 31 de maio de 2018


UM DIA DE SERVIÇO / E.P.I. - MAFRA



Prestei serviço militar na Escola Prática de Infantaria no período de 30 de Novembro de 1969 a 25 de Fevereiro de 1970. Deixei esta unidade pelo motivo de ter sido mobilizado, sendo transferido para R.I. 2 – Abrantes, onde me juntei ao restante pessoal da nossa Companhia para se formar o Batalhão.

Naquela unidade nunca desempenhei serviço relativo à minha especialidade, suponho que nem existia centro de mensagens. Por tal motivo desempenhava funções indiferenciadas, ou seja, como se dizia andava à linha. Isto até passar a ter uma ocupação certa, e a partir daí considerava-me um privilegiado, para isso funcionou a chamada“cunha”.

Um dos serviços que um dia me foi destinado não foi pêra doce. Foram formadas várias equipas incumbidas de ir aos telhados do convento carregar lixo proveniente de umas obras que lá tinham realizado. Tínhamos de subir cerca de cento e cinquenta degraus, que estavam sempre húmidos e por tal escorregadios, andar em cima dos telhados cerca de cinquenta metros, carregar uma padiola, que era bastante pesada, fazer o percurso ao contrário e no final atravessar a parada e ir depositar esse lixo em determinado local. Para  não fazermos muitas viagens resolvemos, erradamente, carregar o máximo que a dita padiola levava. Logo nos arrependemos.

Seguidamente fomos novamente ao local, para fazermos novo carregamento. Mas aqui a sorte, para mim, mudou. Todos os outros elementos foram chamados à sua Companhia pois tinham sido mobilizados. Sozinho não podia continuar a fazer o serviço. Ainda bem.......

Depois do almoço, deram-me outro serviço. Passei a ser ajudante de um civil que andava a realizar uma obra  no quartel. Pessoa bastante simpática e a sua vontade de trabalhar não me pareceu ser muita. Isto passou-se numa Segunda-Feira, tinha vindo passar o fim de semana a casa e pouco tinha dormido, além da viagem de regresso feito nessa noite. Em conversa dei-lhe a entender que estava um pouco cansado. Ele percebeu a ideia. O serviço a fazer não sei qual era, pois não chegamos ao mesmo. Lembro-me que entramos num ginásio, ele fechou a porta e deitamos-nos nos colchões que lá se encontravam. Conversamos, conversamos e adormecemos. Problema, quando acordamos ficamos em pânico, já passava da hora do jantar e eu não apareci. Ele, que era duma localidade das redondezas, já não tinha transporte para casa. Entretanto, foi comigo junto do refeitório, e perante o oficial em serviço, justificou com a sua palavra a minha falta, alegando que estivemos a acabar um serviço que tinha de ser acabado. Tudo ficou sanado. Como foi para casa nunca cheguei a saber, pois nunca mais o vi.

Assim se passou mais um dia, dos muitos, da minha vida de militar.

Carlos Amaral

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