quarta-feira, 27 de abril de 2016


 27 DE ABRIL

Cais da Rocha Conde de Óbidos

Faz hoje 46 anos que partimos para Angola. Eram sensivelmente 12,20 horas quando o navio Pátria largou do Cais da Rocha Conde de Óbidos.  Nesse momento, que acho que jamais esqueceremos, todos nós sentimos um nó na garganta. Sabíamos que estávamos a partir, desconhecíamos se um dia voltaríamos. O ambiente que se vivia no momento era de resignação, voltar atrás não podíamos. Eu considerei-me prisioneiro e, nesse estado mantive-me até pôr os pés, novamente, em terra. Aqui, se quisesse, podia fugir......

Um embarque
Dos momentos antes do embarque, como estava sozinho, fui-me apercebendo de toda a tristeza que invadia os rostos dos presentes na doca. Pais, mulheres, noivas, namoradas, filhos e amigos tentavam animar-se uns aos outros, mas a dor pairava no ar. Por sua vez os militares tentavam ser fortes, sim fortes, pois eles iam para a guerra e na guerra não se pode esmorecer. E lá se fizeram as despedidas, beijos, abraços, palavras de ânimo e votos de muita sorte.

Navio Pátria
Já dentro do navio, todos procuraram a melhor posição para verem e serem vistos por  aqueles que continuavam a acenar em forma de despedida.    
   
 Esta é uma data que marcou as nossas vidas. Há o antes e o  depois......                                                                                             

                                                                                 (Carlos Amaral)

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