quinta-feira, 2 de junho de 2016


PARTILHA

A foto mostra-nos que algum dos presentes recebeu uma encomenda, com certeza vinda da Metrópole, e o seu destinatário não se coibiu de a partilhar com os seus camaradas presentes. Estes são os momentos que demonstram a amizade e o bom convívio que se vivia em tempos bem difíceis para todos nós.
O conteúdo da encomenda devia ser muito bom, nem sequer houve tempo de o levar para a mesa, pois foi degustado logo após a abertura da caixa que o transportou.


Barata, Luciano, Chilala, Centeio e Antunes

terça-feira, 31 de maio de 2016



AEROGRAMAS


Foto de HO Reys Tony Reys.


O aerograma é uma carta que se expede por via aérea. Todos nós, militares expedicionários e as nossas famílias muitas vezes os usamos. Um simples papel fino e desdobrável servia para transportar notícias, alegrias, amor, tristezas e até lágrimas de quem neles escrevia. Havia-os de duas cores: amarelos para quem os escrevia do ultramar para a metrópole e azuis para o inverso. Para os militares eram gratuitos e para os civis custavam entre os vinte e os trinta centavos. As Forças Armadas face ao elevado tráfego que existiu com o transporte dessas missivas e à dificuldade dos meios dos CTT chegar a todas as zonas militares, decidiu organizar um serviço para o efeito, criando o SPM (Serviço Postal Militar), com postos em zonas estratégicas.

A todas unidades militares era atribuído um número de S:PM,, que era o seu endereço postal. O nosso, como todos ainda se lembram, era o 1566. No nosso quartel havia um Posto que tratava de todo o encaminhamento da correspondência recebida e expedida, também da de outras unidades a quem servia. Desse serviço estavam encarregues o 1º Sargento Morais, o 1º. Cabo Armindo e o Soldado Costa, a quem todos pediam para serem céleres na hora da distribuição das cartas quando da chegada das mesmas.  



segunda-feira, 30 de maio de 2016


BICICLETA GAMA ALTA

Com este título recebi, enviada pelo António Ascenção, (ex Furriel da 206) a foto em que está montado numa bicicleta. Ele costumava-a usar para se deslocar nas rondas que efectuava à central eléctrica. Porém tem um dúvida: a quem é que a mesma pertencia?  a ele? porque a usava, ou ao colectivo?. Sabe, sem qualquer dúvida que o seu valor de compra foi de 20$00, angolares. Caso alguém tenha mais dados sobre este veículo de duas rodas, pede para que informem.

A bicicleta e o António Ascenção

domingo, 29 de maio de 2016


O PÃO - (O NOSSO FABRICO)


Usado como símbolo de vida e do trabalho, o pão é um bem importante em todas as culturas, tendo, até, um significado importante em muitas religiões. Supõe-se que surgiu há mais de 12.000 anos com a cultura do trigo. No entanto só passados alguns milhares de anos é que começou a ser cozido em fornos de barro, pelos egípcios.

O pão só chegou à Europa no ano de 250 a.C., e passou a ser um dos principais alimentos da Roma Antiga. Com a expansão do seu Império, chegou, assim, a grande parte da Europa.

Nós, em Henrique de Carvalho, a partir de determinada altura, passamos a ter fabrico próprio de pão. Para o efeito foi construído um forno, suponho pelo nosso pessoal, que era aquecido a lenha, o da foto, (que foi enviada pelo António Ascenção ex Furriel Mil. da Comp. 206), e com o saber da arte de padeiro do nosso camarada SEBASTIÃO e a ajuda de outros tornamos-nos auto-suficientes na área da panificação.

Já agora: Quem não gosta de pão? e se for quentinho? e ser for barrado com manteiga!!!!!!!!!!!!! 

O Forno e o Ascenção a ver se estava tudo em ordem

   Foto. António Ascenção
   Fonte consultada: Net - Invivo/br




P.S. - Entretanto recebemos o seguinte comentário, enviado pelo Sérgio Xavier, sobre 
o forno

Quem esteve á frente dos trabalhos na montagem do forno foi o Domingos Martins e acho eu que pessoal que o montou na maioria para não dizer na totalidade foram os sapadores  eu lembro-me que antes de começar a laborar em pleno caiu duas ou três vezes para não dizer mais e nós na messe estávamos sempre a entrar na brincadeira  (principalmente o Jorge) com o Martins dizendo que  ele o que queria era manter as obras para não sair do quartel.Mas isso só o Martins é que pode confirmar a veracidade da história.

             Um abraço.
   

quinta-feira, 26 de maio de 2016


REFEIÇÃO NO NAVIO PÁTRIA

Na foto só consigo identificar os que estão mencionados.
À Esquerda: Oliveira (Banharia)
À Direita em primeiro plano: Centeio, Florêncio, Lopes e Barata


TRANSMISSÕES 

As Transmissões da nossa Companhia era formada por várias especialidades. Entre elas havia a dos Operadores de Rádio. Os seus elementos tinham como função enviar e receber mensagens, por aquela via. O pelotão era composto por três Primeiros Cabos (o Barata, o Antunes e o Florêncio) e quatro Soldados (o Lopes, o Santos, o Pereira e o Centeio). Os três primeiros, por necessidade, desempenharam serviço no Centro de Mensagens, o Centeio era estafeta no mesmo serviço e os restantes, esses sim, estavam no Posto de Rádio. Este serviço era completado por elementos das companhias e pelotões que estavam adidos à nossa Companhia. 
A foto apresentada foi tirada em pleno alto mar.

De pé: Barata, Centeio, Lopes, Antunes e Pereira
Em baixo: Florêncio (falecido) e Santos

quarta-feira, 25 de maio de 2016



A CASA D' IRENE

A Casa D' Irene, como era conhecida, ficava situada num edifício em plena cidade de Henrique Carvalho, onde estavam instalados os sargentos da Companhia de Caçadores 206. Sobre a mesma, embora me lembre bem, não possuo grandes elementos. No entanto, em pesquisas que efectuei, encontrei o texto que, por ser bastante curioso, e nos dar a conhecer o que "diziam" que por lá se passava, achei por bem publica-lo:



A Casa de Irene

 Citação

Originalmente escrito por Cesar Ferreira

Caro incompreendido,

Talvez não saibas que os residentes permanentes e os esporadicos de Henrique de Carvalho era considerados rigidos nos costumes, moralistas e pouco tolerantes, senão vejamos o que a Revista Noticias, numa edição de 1972, na secção assinada por Joaquim Moreira, sob o titulo BAR AMERICANO, diz:

 Citação

Caro César,

Eu saí de Saurimo em início de 1972, depois de quase um ano de lutas heroicas, com os meus G.E., e não contra os meus G.E., e parece que andam por aí uns ex-guerrilheiros que desconheceram tais grupos, mas enfim. Durante esse ano tive o prazer e a honra de conhecer o sargento Venâncio, que tinha saído dos Comandos, por excesso de comissões, e foi-se alistar na OPVDCA, pois sem mata é que ele não sabia viver.

Mas, indo ao caso que reportas, é preciso ter em conta :


-Eu dei recruta ao filho do Charula de Azevedo, dono da dita revista, depois de ter voltado para Nova Lisboa e ter ido terminar os meus dias de heroísmo militar, na E.A.M.A. - exactamente onde tinham começado.


Em Henrique de Carvalho, os Furrieis da C.Caç 206 de 1.970, alugaram uma vivenda à qual deram o nome de "CASA D'IRENE" inspirados pela célebre canção intaliana :.."se canta , se ri, tem gente que vem e tem gente que vai..."


Ora como todo Furriel que se preze, fazer petiscos sempre foi seu forte, mas lavar a louça, arrumar copos, garrafas, limpar cinzeiros, fazer camas, etc, etc, já não jogava muito com as suas aptidões, de maneira que contratavam empregadas para essas tarefas, que, embora recebessem o salário combinado, despediam-se amiúde umas e outras eram despedidas, (por alguns serviços, que ou não gostavam de fazer ou não sabiam fazê-los), e, às vezes, lá conseguiam que algumas delicadas meninas , filhas dos residentes, ajudassem em tais tarefas, o que, nunca se compreendeu, não abonava à sua reputação. - Vá-se lá saber porquê! - Mesquinhices.

Assim a Casa D'Irene, ganhou uma fama, nada condigna quer com o seu gabarito, quer com o gabarito, dos mui dignos Furrieis Milicianos que nela habitavam.


E tantas foram as invejas, e os boatos do que lá se passava, tendo chegado ao incrível ponto de se ter formado uma comissão,composta pelas senhoras virtuosas da terra, que foram falar com o padre (que também era o nosso capelão), rogando que a casa fosse exorcizada, pois andariam por lá almas do outro mundo, tais eram os gemidos que muitas noites pela madrugada, se ouviam, oriundos de tal albergue, e luzes que se acendiam e apagavam repetidamente, e às vezes até gritos de arrepiar - o que só podia ser obra do demo.


Logicamente que, com o padre metido ao barulho, e com algum receio que as beatas do seu rebanho, se lembrassem de ir ver "in locco" o que se lá passava, arriscando-se por isso a ver alguma ovelhina transviada, não descansou enquanto não convenceu o "ASA NEGRA" a encerrar a melhor e mais típica residência de Saurimo, alegando que aquilo se parecia comuma "República Coimbrã" que eram antros de desenvoilvimento de culturas anarquistas e comunistas! 

Comparação completamente desapropriada, até porque:

1º - Nas citadas rebulicas, que se tivesse conhecimento na altura, não tinham empregadas pretas nem mulatas!

2º - Algum dia um ANARQUISTA, considerava um comunista como alguém com quem poderia partilhar algo?


Santa Ingnorância!

Mas enfim... O que lá foi. lá foi ...e lá se foi a casa ... Como tinha bebidas, também lhe chamavam Bar e como se ouvia Bob Dylan, Joan Baez, Carol King, Jose Feliciano, a guitarra electrica do Jimmy, os Crosby Stil Nash and Young, etantos outros, foi um instante que também ganhou a alcunha de Bar Americano.

Isto contei eu ao Charula filho, o que ele contou ao Charula pai, já não é da minha lavra.

Boa Noite.


 Fonte - Blog MAZÚNGUE - (Em honra de todos os naturais de Angola)
               Rubrica - "Histórias de Guerra, tem uma para contar?"