terça-feira, 31 de maio de 2016



AEROGRAMAS


Foto de HO Reys Tony Reys.


O aerograma é uma carta que se expede por via aérea. Todos nós, militares expedicionários e as nossas famílias muitas vezes os usamos. Um simples papel fino e desdobrável servia para transportar notícias, alegrias, amor, tristezas e até lágrimas de quem neles escrevia. Havia-os de duas cores: amarelos para quem os escrevia do ultramar para a metrópole e azuis para o inverso. Para os militares eram gratuitos e para os civis custavam entre os vinte e os trinta centavos. As Forças Armadas face ao elevado tráfego que existiu com o transporte dessas missivas e à dificuldade dos meios dos CTT chegar a todas as zonas militares, decidiu organizar um serviço para o efeito, criando o SPM (Serviço Postal Militar), com postos em zonas estratégicas.

A todas unidades militares era atribuído um número de S:PM,, que era o seu endereço postal. O nosso, como todos ainda se lembram, era o 1566. No nosso quartel havia um Posto que tratava de todo o encaminhamento da correspondência recebida e expedida, também da de outras unidades a quem servia. Desse serviço estavam encarregues o 1º Sargento Morais, o 1º. Cabo Armindo e o Soldado Costa, a quem todos pediam para serem céleres na hora da distribuição das cartas quando da chegada das mesmas.  



segunda-feira, 30 de maio de 2016


BICICLETA GAMA ALTA

Com este título recebi, enviada pelo António Ascenção, (ex Furriel da 206) a foto em que está montado numa bicicleta. Ele costumava-a usar para se deslocar nas rondas que efectuava à central eléctrica. Porém tem um dúvida: a quem é que a mesma pertencia?  a ele? porque a usava, ou ao colectivo?. Sabe, sem qualquer dúvida que o seu valor de compra foi de 20$00, angolares. Caso alguém tenha mais dados sobre este veículo de duas rodas, pede para que informem.

A bicicleta e o António Ascenção

domingo, 29 de maio de 2016


O PÃO - (O NOSSO FABRICO)


Usado como símbolo de vida e do trabalho, o pão é um bem importante em todas as culturas, tendo, até, um significado importante em muitas religiões. Supõe-se que surgiu há mais de 12.000 anos com a cultura do trigo. No entanto só passados alguns milhares de anos é que começou a ser cozido em fornos de barro, pelos egípcios.

O pão só chegou à Europa no ano de 250 a.C., e passou a ser um dos principais alimentos da Roma Antiga. Com a expansão do seu Império, chegou, assim, a grande parte da Europa.

Nós, em Henrique de Carvalho, a partir de determinada altura, passamos a ter fabrico próprio de pão. Para o efeito foi construído um forno, suponho pelo nosso pessoal, que era aquecido a lenha, o da foto, (que foi enviada pelo António Ascenção ex Furriel Mil. da Comp. 206), e com o saber da arte de padeiro do nosso camarada SEBASTIÃO e a ajuda de outros tornamos-nos auto-suficientes na área da panificação.

Já agora: Quem não gosta de pão? e se for quentinho? e ser for barrado com manteiga!!!!!!!!!!!!! 

O Forno e o Ascenção a ver se estava tudo em ordem

   Foto. António Ascenção
   Fonte consultada: Net - Invivo/br




P.S. - Entretanto recebemos o seguinte comentário, enviado pelo Sérgio Xavier, sobre 
o forno

Quem esteve á frente dos trabalhos na montagem do forno foi o Domingos Martins e acho eu que pessoal que o montou na maioria para não dizer na totalidade foram os sapadores  eu lembro-me que antes de começar a laborar em pleno caiu duas ou três vezes para não dizer mais e nós na messe estávamos sempre a entrar na brincadeira  (principalmente o Jorge) com o Martins dizendo que  ele o que queria era manter as obras para não sair do quartel.Mas isso só o Martins é que pode confirmar a veracidade da história.

             Um abraço.
   

quinta-feira, 26 de maio de 2016


REFEIÇÃO NO NAVIO PÁTRIA

Na foto só consigo identificar os que estão mencionados.
À Esquerda: Oliveira (Banharia)
À Direita em primeiro plano: Centeio, Florêncio, Lopes e Barata


TRANSMISSÕES 

As Transmissões da nossa Companhia era formada por várias especialidades. Entre elas havia a dos Operadores de Rádio. Os seus elementos tinham como função enviar e receber mensagens, por aquela via. O pelotão era composto por três Primeiros Cabos (o Barata, o Antunes e o Florêncio) e quatro Soldados (o Lopes, o Santos, o Pereira e o Centeio). Os três primeiros, por necessidade, desempenharam serviço no Centro de Mensagens, o Centeio era estafeta no mesmo serviço e os restantes, esses sim, estavam no Posto de Rádio. Este serviço era completado por elementos das companhias e pelotões que estavam adidos à nossa Companhia. 
A foto apresentada foi tirada em pleno alto mar.

De pé: Barata, Centeio, Lopes, Antunes e Pereira
Em baixo: Florêncio (falecido) e Santos

quarta-feira, 25 de maio de 2016



A CASA D' IRENE

A Casa D' Irene, como era conhecida, ficava situada num edifício em plena cidade de Henrique Carvalho, onde estavam instalados os sargentos da Companhia de Caçadores 206. Sobre a mesma, embora me lembre bem, não possuo grandes elementos. No entanto, em pesquisas que efectuei, encontrei o texto que, por ser bastante curioso, e nos dar a conhecer o que "diziam" que por lá se passava, achei por bem publica-lo:



A Casa de Irene

 Citação

Originalmente escrito por Cesar Ferreira

Caro incompreendido,

Talvez não saibas que os residentes permanentes e os esporadicos de Henrique de Carvalho era considerados rigidos nos costumes, moralistas e pouco tolerantes, senão vejamos o que a Revista Noticias, numa edição de 1972, na secção assinada por Joaquim Moreira, sob o titulo BAR AMERICANO, diz:

 Citação

Caro César,

Eu saí de Saurimo em início de 1972, depois de quase um ano de lutas heroicas, com os meus G.E., e não contra os meus G.E., e parece que andam por aí uns ex-guerrilheiros que desconheceram tais grupos, mas enfim. Durante esse ano tive o prazer e a honra de conhecer o sargento Venâncio, que tinha saído dos Comandos, por excesso de comissões, e foi-se alistar na OPVDCA, pois sem mata é que ele não sabia viver.

Mas, indo ao caso que reportas, é preciso ter em conta :


-Eu dei recruta ao filho do Charula de Azevedo, dono da dita revista, depois de ter voltado para Nova Lisboa e ter ido terminar os meus dias de heroísmo militar, na E.A.M.A. - exactamente onde tinham começado.


Em Henrique de Carvalho, os Furrieis da C.Caç 206 de 1.970, alugaram uma vivenda à qual deram o nome de "CASA D'IRENE" inspirados pela célebre canção intaliana :.."se canta , se ri, tem gente que vem e tem gente que vai..."


Ora como todo Furriel que se preze, fazer petiscos sempre foi seu forte, mas lavar a louça, arrumar copos, garrafas, limpar cinzeiros, fazer camas, etc, etc, já não jogava muito com as suas aptidões, de maneira que contratavam empregadas para essas tarefas, que, embora recebessem o salário combinado, despediam-se amiúde umas e outras eram despedidas, (por alguns serviços, que ou não gostavam de fazer ou não sabiam fazê-los), e, às vezes, lá conseguiam que algumas delicadas meninas , filhas dos residentes, ajudassem em tais tarefas, o que, nunca se compreendeu, não abonava à sua reputação. - Vá-se lá saber porquê! - Mesquinhices.

Assim a Casa D'Irene, ganhou uma fama, nada condigna quer com o seu gabarito, quer com o gabarito, dos mui dignos Furrieis Milicianos que nela habitavam.


E tantas foram as invejas, e os boatos do que lá se passava, tendo chegado ao incrível ponto de se ter formado uma comissão,composta pelas senhoras virtuosas da terra, que foram falar com o padre (que também era o nosso capelão), rogando que a casa fosse exorcizada, pois andariam por lá almas do outro mundo, tais eram os gemidos que muitas noites pela madrugada, se ouviam, oriundos de tal albergue, e luzes que se acendiam e apagavam repetidamente, e às vezes até gritos de arrepiar - o que só podia ser obra do demo.


Logicamente que, com o padre metido ao barulho, e com algum receio que as beatas do seu rebanho, se lembrassem de ir ver "in locco" o que se lá passava, arriscando-se por isso a ver alguma ovelhina transviada, não descansou enquanto não convenceu o "ASA NEGRA" a encerrar a melhor e mais típica residência de Saurimo, alegando que aquilo se parecia comuma "República Coimbrã" que eram antros de desenvoilvimento de culturas anarquistas e comunistas! 

Comparação completamente desapropriada, até porque:

1º - Nas citadas rebulicas, que se tivesse conhecimento na altura, não tinham empregadas pretas nem mulatas!

2º - Algum dia um ANARQUISTA, considerava um comunista como alguém com quem poderia partilhar algo?


Santa Ingnorância!

Mas enfim... O que lá foi. lá foi ...e lá se foi a casa ... Como tinha bebidas, também lhe chamavam Bar e como se ouvia Bob Dylan, Joan Baez, Carol King, Jose Feliciano, a guitarra electrica do Jimmy, os Crosby Stil Nash and Young, etantos outros, foi um instante que também ganhou a alcunha de Bar Americano.

Isto contei eu ao Charula filho, o que ele contou ao Charula pai, já não é da minha lavra.

Boa Noite.


 Fonte - Blog MAZÚNGUE - (Em honra de todos os naturais de Angola)
               Rubrica - "Histórias de Guerra, tem uma para contar?"



terça-feira, 24 de maio de 2016


EMISSOR REGIONAL DE SAURIMO




Em Henrique de Carvalho, durante a nossa estadia, existia uma Estação de Rádio, que com as suas emissões pretendia ser uma forma de entretenimento regular da sua população. Assim, ao sintoniza-la ficávamos ao corrente de: notícias de toda a ordem, da actualidade musical e desportiva, havia passatempos, programa de discos pedidos, etc, etc. No fundo pretendiam dar na cidade vida à uma das grandes invenções, que começou a chegar ao público mundial pelos anos de 1920, com as primeiras emissões na Argentina e nos Estados Unidos.

A nossa Companhia, como em todas as áreas do quotidiano da cidade, teve também um papel interventivo no referido emissor, como podemos ver no enxerto, que passamos a seguir, de uma entrevista que o então Alferes Pimentel deu, em devido tempo, ao jornal "Correio da Manhã", que já publicamos na íntegra, em 2014.  

"Durante a minha permanência em Lunda também fiz rádio numa emissora regional da Rádio Oficial de Angola. Eu, o alferes Amaral e o furriel Valente fazíamos um programa duas vezes por semana. Chamava-se ‘Mosaico’. O nome foi escolhido pelo comandante. Passávamos música e fazíamos artigos sobre cinema e música. Os discos eram emprestados por militares ou por uma loja que vendia um pouco de tudo. Entre outras, passávamos música de Zeca Afonso. Nunca ninguém nos disse que era proibido. Mas, passado um tempo, apareceu lá um fulano que exigiu ver os artigos que tínhamos para ler no programa. Começou a fazer emendas, mas dava mais erros gramaticais do que nós. Quando começou o programa só pusemos música. Não lemos os artigos e no final anunciámos que tinha sido o último programa. Ele não disse nada,"